Aposta de R$2,2 milhões da Sanlam + Saída de R$750 milhões de Otedola + Actively Black Abre Investimento em Ações para a Comunidade no Dia Ujamaa
Capital institucional para empreendimentos africanos. Saída de bilionário para financiamento. Propriedade comunitária no Ujamaa | Segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Três histórias definem a mobilização de capital hoje.
Sanlam (seguradora pan-africana apoiada pelo bilionário Patrice Motsepe) fez seu primeiro investimento de risco—$2,2 milhões na fintech de varejo marroquina Woliz.
O bilionário nigeriano Femi Otedola saiu de sua participação controladora na Geregu Power por $750 milhões, mudando seu foco para o setor financeiro.
E nos Estados Unidos, a Actively Black—uma marca de propriedade negra—anunciou que abrirá uma rodada de investimento em ações em 2026, permitindo que sua comunidade (a Tribo) possua participações na empresa.
Todas as três histórias representam o mesmo princípio: o capital institucional e o capital comunitário estão se mobilizando em torno de negócios liderados por minorias e estruturas de propriedade alternativas.
A Primeira Aposta de Risco da Sanlam: $2,2M na Tecnologia de Varejo Marroquina
A Sanlam Limited, o maior provedor de serviços financeiros não bancários da África, anunciou uma participação acionária na Woliz, uma startup marroquina que digitaliza o varejo de bairro.
Isso marca o primeiro investimento estilo venture da Sanlam.
Marrocos tem aproximadamente 600.000 pequenos varejistas operando em dinheiro, fora dos sistemas financeiros formais. A Woliz os conecta a sistemas de pagamento, fornecedores, crédito e consumidores digitais.
Para a Sanlam, a lógica é dupla: obter acesso direto a segmentos de mercado desatendidos e aprender sobre ecossistemas de fintech de varejo que informarão o desenvolvimento de produtos em sua presença em 26 países.
A mudança estratégica é significativa. Historicamente, a Sanlam focou em seguros tradicionais e gestão de ativos. Agora, sob pressão para dobrar os lucros até 2030, está se expandindo para private equity e investimentos de risco, onde os retornos são mais estáveis.
Por que isso é importante
O capital institucional africano (seguradoras, DFIs, fundos de pensão) está migrando do capital público para o venture.
Isso cria uma nova fonte de capital de crescimento para startups africanas sem exigir que elas naveguem pelas redes do Vale do Silício.
Otedola Sai da Geregu Power por $750M—Bilionário Muda para o Setor Financeiro
Femi Otedola vendeu sua participação controladora de 77% na Geregu Power Plc por $750 milhões hoje, saindo do maior gerador de energia privado da Nigéria para focar em serviços financeiros.
A Geregu gerou 435 megawatts (aproximadamente 10% do fornecimento da rede nacional da Nigéria) e foi avaliada em N2,85 trilhões ($1,96 bilhões) em dezembro de 2025.
Otedola tornou a empresa pública em outubro de 2022 a N250 bilhões—o valor da empresa apreciou 1.040% em três anos.
O comprador
MA’AM Energy Limited (ligada ao ex-governador do estado de Zamfara, Abdul-Aziz Yari), financiada por um consórcio do Zenith Bank.
A mudança
Otedola está redirecionando capital para serviços financeiros, particularmente First HoldCo e investimentos financeiros relacionados.
No ambiente macro atual, os serviços financeiros oferecem retornos ajustados ao risco melhores do que a energia, que enfrenta incertezas regulatórias e volatilidade em contratos de compra de energia.
Por que isso é importante
A saída de Otedola prova que operadores africanos que constroem infraestrutura lucrativa e escalável podem alcançar saídas em escala de venture e redirecionar capital para novos setores.
Isso também demonstra que o capital institucional (consórcio do Zenith Bank) financiará transações importantes em grande escala sem a participação de VC do Vale do Silício.